quinta-feira, 7 de maio de 2015

OS TERRÍVEIS ACHADOS.










Chegaram todos juntos. No mesmo momento que me olhavam com reprovação, amarravam minha boca com tecidos com um gosto amedrontador de pólvora e vinagre. Fiquei imóvel esperando o próximo passo, mas, começaram a me observar como se fosse peça de algum museu exótico pelo mundo. Deixaram-me muda, é verdade.

Aos poucos o tremor do corpo foi passando e tudo que senti foi um grande frio mobilizante  tomar o corpo. Todos já me ignoravam! Conversaram sobre a vizinha, o senhor da esquina, o cachorro bravo. Estavam alheio aos acontecimentos. Estavam alheios ao que me fizeram. Estavam alheios ao frio de quase vinte graus negativos que tomou conta dos meus órgãos.

Não demorou muito e meu coração começou a descompassar e a bater rapidamente com o corpo imóvel, em uma tentativa desesperada de manter o controle. As palavras começaram a sufocar minha garganta e em um forte golpe, sabia, não bateria mais. Fui sentindo pequenas explosões no peito, até o golpe final. Imóvel. Ignorada.

Ainda não sei o que me faz perder a vida os pedaços de coração na garganta ou o coração explodido o estômago ou as palavras afogadas no resto do meu coração flamejante. o fato é que me mantive imóvel. O fato é que continuaram lá, sentindo o cheiro e conversando sobre o gosto da pólvora e do vinagre e conversando sobre tudo que eu sempre ignorei.

Liberdade, enfim.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

NA ENCRUZILHADA.


"...No espírito a gemer e em que só o tédio existe..." 


Flores do mal - Charles Baudelaire 




o tédio viciante
a superficial vontade
a teia de estratégias
caminho a um destino
uma grande encruzilhada!

sentou
fumou um cigarro
e decidiu-se

entre o tédio de certezas
e o benefício da dúvida

o grande e louco mistério da dúvida
a pulsar na veias
a colocar nos seus olhos a nunca entrega

ia morar na encruzilhada
em meio a desesperos
e galinhas pretas e velas coloridas

entre o temor da negra magia
e o aconchego do caminho em linha reta

ia morar na dúvida
na incerteza
na insônia
no disparar de coração
na louca sinapse descontrolada

Decidiu-se!
Por não decidir.

quarta-feira, 25 de março de 2015

ALUCINAÇAO.

"A minha alucinação
É suportar o dia-a-dia
E meu delírio
É a experiência
Com coisas reais"

Abriu os olhos novamente na primeira manhã de abril.

A b r i l.
O mês das folhas no chão, dos ventos e do cheiro de fumaça no quintal. Março e suas águas e seu sol de verão, foi real.Por meses viveu alucinações de fuga, mas, março, março foi real.
Março foi o fim de todas alucinações.
Mês cravado na pele, no coração, na cabeça.
O mês que a paixão pareceu torta. O amor no passado. E a juventude em outras buscas. E a dura realidade das máscaras no chão. Aperto. Lágrimas. Frio na barriga. Nó na garganta. 5 horas da madrugada e o galo canta. Hora de acordar.

Abriu os olhos em abril. Março só era uma louca alucinação da vida real.

Mas, em abril, abriu os olhos!

Alucinações em março....

Alienou-se em abril.





segunda-feira, 18 de agosto de 2014

OCUPE: CORAÇÃO VAGO!




em dias estranhos e lúcidos
saio a janela
abro meu peito
e imploro para o vento
em um prece
em um murmúrio
quem sabe, um grito mudo

tranque-se novamente no meu músculo
ocupa minhas veias
batA compassadamente naquela ilusão
da imortalidade
da respiração ofegante
da calma de um amor eterno

Feche as portas, não saia mais!


sábado, 16 de agosto de 2014

Repita! Repita! Até a exaustão...

"...............Que soy, soy la locura que estremece, soy tu adicción
Y tu eres mi felicidad, mi calma
Soy...una colonia que va en busca de liberación
Y tu eres esa dosis de esperanza.
Soy...la cordillera que en la distancia te cura la visión con su elegancia.
De todo loco que lo intenta soy la frustración
Tu eres ese reto que me encanta................................."


olhe-me!
olhe-me!
lerá!
sem uma única palavra
a ladainha complexa
re pe ti ti va
da paixão!


sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A ORDEM DOS TEMPOS




que a felicidade fosse infinita
insubstituível

e que todos não fossem capaz de entender
aquele sorriso meio bobo
meio sem querer
meio sem poder

meio sem motivo

que os abraços fossem para compartilhar alegrias!
alegrias nos braços
nas notícias
nos finais
e na  despedida do até breve

que eu pudesse com minhas firmes mãos
te embalar
te buscar
te guardar

re es ta be le cer
a ordem dos olhos faíscantes de explosão de contentamento

pegue
abra
meu coração
o guarde
com fé
para você

é o que tenho
para você..



quinta-feira, 31 de julho de 2014

EU LEMBRO!




Do you remember when we forgot
How to smile at each other
To believe that the other



Você acendeu uma enorme fogueira na noite de São João  nas montanhas da Galícia e dançou com ela umas danças estranhas para espantar as bruxas, depois me deram algo para tomar e vi as cores da Índia que me falava e fiquei tão atordoada com os cheiros e gostos que desmaiei no gramado. Mas, não havia tempo, eu lembro!!! E mais... Fui com vocês para Cartagena das Índias e passamos pela Suécia para dar um beijo no pai  que sucumbia de uma doença misteriosa contraída na selva amazônica em um tipo de areia movediça cheia de sanguessugas que lhe roubaram o amor e o perdão. Você bateu em seu  rosto e disse, “perdoa”! Eu lembro. E...lembro que a manhã cheirava orquídeas mesmo com o neve lá fora e que Tamara de Lempicka me olhava enquanto andava nas ruas de Chueca.  E lembro que imaginava seus olhos azuis e nunca esqueci o seu sorriso de menino descobrindo o Marrocos com o som do Zeca Baleiro nos dizendo que o cara mais undergroud que ele conhecia era o diabo. “Cruzcredo” eu só queria que o momento fosse eterno... sem pactos com diabo ou com bruxas. Eu lembro.... Desmaiei no gramado.