terça-feira, 4 de maio de 2010

ALGUM TEMPO DEPOIS...





Depois de um tempo te encontrei casualmente no aeroporto andando de um lado para outro com um menino de uns 5 anos no colo. Reparei nos olhos expressivos do garoto parecidos com os seus. Ele conversava, continuadamente, te olhando nos olhos. Observei tudo de longe. Você sem paciência para explicar a revista em quadradinhos, olhando de um lado ao outro, impaciente, procurando o pai do menino, você gargalhando atrapalhado com o sorvete. Sim, fiquei com vontade de chegar até você. Eram metros que nos separaram, pensei em passar na cafeteira e pegar um guardanapo de papel para te oferecer e aliviar seu desespero com o sorvete derretido pela roupa do menino. Depois, pensei em esbarrar despretensiosamente nas suas malas ou em somente dizer “oi” e te abraçar demoradamente. Pensei tanta coisa, enquanto apenas metros nos separaram. Então, você levantou os olhos enquanto gargalhava e me encontrou. A volta, tudo congelado e você me olhou. Sorriu, aquela expressão de encanto que eu tanto conhecia… Foi assim. Não fomos mais os mesmos depois que ela te encontrou afoita nestes metros que nos separaram. Ela te dizia coisas e coisas gesticulando ansiosamente, com aquele jeito que sempre imaginei que ela tivesse e somente se calou quando o restante das pessoas se aproximaram. Eu dizia palavras automáticas enquanto te via ao longe me olhando em desespero. A última vez que te vi, você estava se afastando dos metros entre nós e olhou para trás para me ver dar explicações para ele que não entendia as lágrimas que escorriam do meu rosto sem motivos. Fora dos metros, te via caminhar em desalento e já não fomos mais os mesmos depois do nosso encontro.

3 comentários:

Cynthia Lopes disse...

Renata o texto é tudo de bom!
bjs

Chez POPI disse...

Sofri... q lindo!!!
como num filme, a cena!
Bjus
paula

marcela (arlequinal) p. disse...

Existir e não poder tocar já é tão triste... imagina então quando se está tão perto.