terça-feira, 3 de agosto de 2010

ALICIA.

Alicia queria muito viver uma história de amor. Já era uma moça de 16 anos que pintava os cabelos, depilava as axilas e maquiava as bochechas. Faltava a Alicia viver o amor.

Desde os 13 anos Alicia já sabia o que era amar, foi de gordinha da turma a magricela do bairro depois de viver um amor platónico por um garoto da escola. Para as amigas do bairro dizia que namoravam escondido, para as meninas da escola dizia que não gostava de ninguém. E como Alicia sofreu com aquele garoto metido a boy, que mau notava sua presença e que lhe roubou um beijo desastroso, em uma festa de aniversário, depois de já ter colocado a língua em várias bocas de meninas na noite. Não importa, o gosto da boca daquele menino tosco a fez sonhar, a fez ter o coração disparado, a fez parar de comer com o gelo no estômago. E Foi que conhecia do amor.

Queria viver mesmo era uma história de amor, cor-de-rosa choque como as dignas dos grandes poemas, grandes romances e filmes. Ai, ai… queria tanto…

E foi assim, querendo, que a moça conheceu Jair, o moço que mudou para a casa da esquina. Ninguém se deu conta do novo moço do bairro, as amigas até deram de ombros ao tal Jair da esquina, mas, Alicia, queria era viver uma história de amor, estava apaixonada pela ideia de amar e quis Jair.

Jair, era um moreno até que bonito, mas, tinha um tique estranho de ficar piscando, piscando, piscando… E que agonia que dava as pessoas! Mas, Alicia, resolveu achar aquilo o charme de Jair, afinal, ele era novo no bairro, na escola e não a julgaria pelos porres de cair e os montes de boca que beijava em cada festa.

Foram meses de Alicia querendo Jair, sem sucesso. A moça cansou de passar “rebolativa” na frente de Jair, cansou de o olhar, de sorrir de canto… Quase desistiu de Jair, chegou até a reclamar do pisca que pisca sem fim do moço. E o moço? Não sabia o que fazer com aquela menina assanhada. Ela parecia ser bonita, mas, ele nunca a conseguia olhar em detalhes, já que não conseguia olha-la assim, ela o olhando, ela o cercando, ela o intimidando.

No sexta, Jair conseguiu se esconder atrás dos amigos e observa-la. Ela estava com as meninas escutando alguma destas histórias emocionantes femininas. Levava a mão na boca em suspense de uma forma tão escanchada. Os cabelos eram compridos com as pontas querendo sair ao vento, seus olhos eram de um marron brilhante e aquele jeito engraçado de colocar as mãos pequenas a boca, isto conseguiu ver bem. Ah sim, o corpo. Era bem torneado em curvas discretas, se escondia em uma pele morena que dava uma vontade urgente de tocar. Sim, a assanhadinha era bonita.

Sábado, Jair falou oi a Alicia e ela curiosamente corou, envergonhadíssima. Depois disso, já não o fitava como antes. Taí, Jair já não sabia o que fazer com a assanhadinha corada. Passou a tarde com ela que não saia da cabeça, brigou com a mãe, com o cachorro e foi dormir mais cedo, chateado, na bronca com seu sentimento.

Domingo, soube dos amigos entre risadas que Alicia embebedou-se na praça e que um moço de carro branco a levou para casa. Dormiu novamente na bronca, mas, desta vez tomou um remédio que desse um jeito no buraco no estômago que o atormentava com a imagem dos olhos que desviaram dos deles… E corada? Onde já viu, a assanhadinha, corada?

Segunda, Jair, deu por conta que estava apaixonado pela menina assanhada e o nervosismo o fez voltar mais cedo do colégio por causa do pisca-pisca sem fim dos olhos que estavam descontrolados por conta da paixão.

Ontem, Alícia estava mais espevitada que nunca! Chegou ao colégio com uma roupa colorida e com sombra azul nos olhos. Depois de repassar os assuntos do dia com as amigas, foi até a biblioteca finalizar o trabalho de português. Sentada distraída com a interpretação do texto e análise sintática, foi surpreendida por Jair que sentou ao seu lado. Alicia e seu jeito extrovertido sumiram na cadeira, sobrou para contar a história uma Alicia séria, calada e trémula. Jair, parecia ter desaprendido a fala. Os olhos pareciam afundar no pisca que pisca que pisca o deixando sem graça. Mas, a assanhadinha era Alicia demais! Assim, tão sem jeito e de perto, sua pele do rosto corada fazia uma fofura com seus lábios entreabertos indecisos. A menina não esperava que Jair fosse assim, que a olhasse, que a conquistasse, que a cercasse, que a encantasse, que a espreitasse com tanto este interesse distinto. Também não esperava que Jair a convidasse para ir tomar sorvete na tarde quente de terça.

Ninguém se lembra o que Alicia disse baixinho a Jair ontem a tarde naquela biblioteca, o fato é que, hoje, passaram aqui na frente da loja de mãos dadas. Alicia rebolativa mais que o normal e Jair com os olhos pisca não pisca, pisca não pisca. Digo com certeza o casal está apaixonado. Jair ainda hoje tomou remédios para o frio de estômago que corada a paixão lhe causa e Alicia vive a sua história de amor…

2 comentários:

★$ Naиđ♂ N£яi $★ disse...

De tanto bater, meu coração parou? De tanto bater, meu coração vibrou e assim descobri que eu estava vivo, intenso e forte. De tanto bater, vi que cada batida era muito grande para mim e necessitei compartilhar cada batida com alguém que amo. As batidas do meu coração batem forte pelos meus amigos, batem forte pelo meus familiares, batem forte pela minha adorada Sherry. Enfim bater faz parte das atividades do meu coração e cada batida soa como um "eu te amo".

Cacá disse...

Renata, é assim mesmo quando a gente está na adolescência. Nenhum progresso ou tecnologia conseguiu mudar o friozinho que dá na barriga nem a timidez do primeiro contato que a gente acha que seja amor. Linda esta história. Meu abraço. Paz e bem.