terça-feira, 9 de março de 2010

"Objetivando"




Acho que essa tarefa lhe dava algum estado.
Estado de pessoas que se enfeitam a trapos.
Catar coisas inúteis garante soberania do Ser.

Manuel de Barros






Minhas velhas roupas,
já não preciso mais sobre a flor da minha pele

E aqueles sapatos com saltos em altos padrões,
não me servem para a areia

O que brilha em minhas orelhas,
não mais reluz como diamantes

E o que ressalta em meus olhos,
não são pinturas de estojos de artifícios

O que se mostra para ser,
eu descarto!

Não me serve o que se apalpa, o que se pega e que se guarda
Não quero o que se quantifica, o que se conta e o que se soma


Nada de excessos para carregar

Sem COISAS para me espelhar
Cem SENTIMENTOS para flutuar

Andarei leve em liberdade

Profundamente cheia.
Superficialmente vazia.



5 comentários:

angelo alfonsin disse...

Genial, de matar e morrer de inveja diante de tanta poesia.
beijos e saudades

Hegli disse...

O transe poético é o experimento de uma realidade anterior a você. Ela te observa e te ama. Isto é sagrado. É de Deus. É seu próprio olhar pondo nas coisas uma claridade inefável. Tentar dizê-la é o labor do poeta." Adélia Prado

Parabéns amiga!Muito linda tua poesia...
Bjus

MetAArte disse...

Adorei o poema! No primeiro verso do dístico que fecha o desenvolvimento (ou 1a parte) do poema, falta um "o", né? Pergunto porque quero divulgá-lo nos meus blogs - e daí já arrumo. Ah! Já declamaste "o poema" para as paredes? Quase sempre os vizinhos também ouvem! Beijos!
PS: e é mais imediato do que esperar os que virão depois... (he he he brincadeirinha!)

RUBENS GUILHERME PESENTI disse...

belo! basta-nos a pele e o que ela reveste.

beijos.

marcela (arlequinal) p. disse...

"Não há nada mais profundo que a pele." (Paul Valéry)