quarta-feira, 27 de junho de 2012
quando era criança.
quinta-feira, 21 de junho de 2012
só mais um ano....só mais um de blues!
quarta-feira, 16 de maio de 2012
ESFIGMONANÔMETRO
sábado, 10 de março de 2012
VIDA
"Sinto o absoluto dom de existir"
A fogueira estava no meio do quintal, algumas bancos dispostos ao lado e o moço começou a dedilhar no violão canções populares que não se ouvia nos lugares a muito tempo. Alguns dançaram sem compromisso perto do fogaréu, mas, o dia era quente de verão e todos ficaram ao longe, observando a fumaça, a luz do fogo, as brasas, o chamuscar do ar. Menos a menina pequena que saiu correndo no meio as pessoas e sentou muito próximo da fogueira, a mãe gritou de longe: “ cuidado com o fogo, menina”, a vó: “ criança que brinca com fogo, faz xixi na cama”, a vizinha: “vai se queimar e não diga que não avisamos”. Mas, ela continuou ali, paralisada, olhando para o fogo, até que algo chispou e uma chuva de pontos brilhantes caiu sobre ela. Tudo parou e ficou embaçado na sua visão e viu somente os muitos e maravilhosos pontos de luz que caiam sobre seu corpo. Garota, se lembrou das fadas e raios de varas de condão. Foram segundos e ela ria, encantada com a magia.
A noite acabou com a menina chorando por entre as pessoas, a mãe preocupada, o pai disse que tinha avisado, a vó rezava para Nossa Senhora e ela estava inteira, queimando e só esperneava porque queria voltar para a chuva de brilho em brasa mágica.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Aos leões e a poesia, me atirem!
(Shakespeare)
Ela gostava da prosa, dos grandes romances. Suspirava. Sonhava com as histórias de amor :
Até que ela descobriu que preferia as poesias.
Queria poesia e engavetou a história, o romance, o conto, as fadas
Queria insistes e não a ideia completa
Queria poesia de dia, de tarde, de noite
Queria poesia aos 40, aos 50, aos 60
Queria Maiacovisk, Mr. Barros, Pessoa
Queria versos, estrofes, rimas sem fim
Queria licenças poéticas
Queria exclamações e não ponto finais
Oh!!!!!!!!!!!
Ah!!!!!!!!!!
Não!!!!!!!!
Sim!!!!!!!!
sábado, 17 de dezembro de 2011
LIBERDADE.
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
... entre um e outro compasso... o silêncio
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade
Haveria alguma explicação para o que João queria que Maria explicasse, estava ali na ponta da sua língua, na faísca do seu olhar e o arrepio do seu toque. João queria era escutar outra coisa. Pedia a explicação e olhava nos olhos de Maria, que não desviava o olhar, mas, desviava a explicação.
Maria não podia dizer, senão diria o que João queria ouvir e Maria que queria tanto dizer... Não podia, ainda não podia e segurava por entre a língua e as cordas vocais as palavras de uma forma covarde. Sem dizer, com palavras açoitadas na sua boca, se torturava sadicamente do amanhecer ao anoitece.
João ficava confuso tal qual Maria quando ela queria ouvir e ele não pensava em dizer, não era vingança, era o rodopio da quadrilha a deixá-los longe, perto, juntos...
Maria ainda iria dizer, aquelas palavras eternas e João ainda iria querer ouvir. Vejo a cena: vão se dar as mãos, estará anoitecendo e será somente João e Maria, nada de Tereza ou Joaquim ou Lili....ou J. Pinto Fernandes!
Somente João e Maria.
( minha homenagem ao primeiro poeta e poema que conheci e que me fizeram entender que não existe maneira mais livre de expressar e entender meus sentimentos e do mundo senão pela poesia, parabéns pelos seus anos Carlos Drummond de Andrade e a sua benção!)

